Casas Bahia (BHIA3) Amplia Prejuízo para R$ 496 mi no 3T25; Ações Caem com Juros Altos
Análise do resultado do 3T25 da Casas Bahia. Prejuízo de R$ 496 mi e inadimplência em 8,4%. Entenda o impacto da dívida e a reação do mercado.

O mercado de varejo enfrentou mais um momento de volatilidade com a divulgação do balanço do Grupo Casas Bahia (BHIA3), realizada após o fechamento do mercado ontem. Em um cenário ainda desafiador de juros altos e crédito caro, a companhia demonstrou melhoria operacional, mas não conseguiu reverter o resultado final.
O principal número: o prejuízo líquido da Casas Bahia aumentou para R$ 496 milhões no terceiro trimestre de 2025 (3T25), uma ampliação de 34,4% em comparação com os R$ 369 milhões de prejuízo registrados no mesmo período do ano anterior.
🇧🇷 O Cenário: O Custo do Crédito Continua a Pesar
Apesar do resultado financeiro negativo, o mercado observou alguns sinais de melhora na operação, o que indica que as iniciativas de corte de despesas e eficiência estão começando a dar frutos:
- Receita Líquida e GMV: A receita líquida totalizou R$ 6,87 bilhões, uma alta de 7,3% na comparação anual, impulsionada pelo crescimento do volume bruto de mercadorias (GMV) de 8,5%.
- Melhora Operacional (EBITDA): A empresa conseguiu ampliar o EBITDA, o que sugere que as vendas e a gestão de custos estão melhores.
- O Peso Financeiro: O grande vilão foi, mais uma vez, o resultado financeiro, que ficou negativo em R$ 1,06 bilhão. Esse número reflete o alto custo da dívida da companhia e a Selic ainda elevada.
O mercado financeiro agora se concentra na capacidade da Casas Bahia de desalavancar a empresa e renegociar suas dívidas nos próximos trimestres.
🎯 Destaques do Balanço: Marketplace e Crediário em Foco
O balanço revelou tendências importantes sobre o mix de vendas e o risco de crédito:
📈 Pontos Positivos e de Destaque
Marketplace (3P)
Foi a estrela do trimestre, com crescimento expressivo de 17,7% no GMV, indicando a força da plataforma para terceiros.
Vendas
As vendas online cresceram 12,7%, e as lojas físicas, 5,9%, mostrando que, no geral, o consumidor está comprando mais.
Redução de Despesas
As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) cederam 3,2%, demonstrando o foco no corte de custos.
📉 Pontos de Pressão e Risco
Prejuízo (LPA)
O prejuízo por ação (LPA) elevado reforça o desafio de reverter o cenário no curto prazo.
Inadimplência
A carteira de crediário subiu e a taxa de inadimplência atingiu 8,4%, mantendo o risco de crédito sob atenção.
Reação do Mercado
As ações BHIA3 abriram o pregão em queda, refletindo a cautela do mercado com o cenário de alto risco e o peso das despesas financeiras.
📣 De Olho na Agenda: Black Friday e Plano de Turnaround
O mercado está dividido sobre o futuro da BHIA3. Analistas, como os do BTG Pactual, mantiveram recomendação Neutra, citando o risco elevado de execução e a volatilidade extrema.
- O que esperar: O foco agora se volta para a Black Friday e o desempenho da companhia nas vendas de fim de ano, que serão cruciais para a geração de caixa.
- Turnaround: O CEO da companhia destacou que o plano de reestruturação para tornar a empresa mais "leve" continua em andamento, incluindo possíveis vendas de ativos imobiliários e mais iniciativas de desalavancagem.